Cuidado! Tua condenação pode ser pior que a do outro

Cuidado! Tua condenação pode ser pior que a do outro

Em um dos maiores clássicos da história – Inferno de Dante, o autor apresenta no capítulo XI uma narrativa que nos permitirá avançar na Santidade. Para aqueles que não sabem, Dante Alighieri, italiano (século 13), não escreveu uma “trilogia” de contos com verdades teológicas, com referência a mitologia grega e romana como muitos por aí a tentam definir, mas escreveu um dos maiores clássicos literários da história que tem contribuído com a fé de todos aqueles que o leem.


No capítulo acima citado, em um dos tercetos o autor escreve:
“Será que tu já esqueceste o que diz a tua Ética – respondeu –, quando ela explica em detalhes, as três coisas que ao céu mais desagradam: incontinência, malícia e bestialidade? A culpa por ter pecado por causa de incontinência ofende menos a Deus. Se você lembrar com cuidado essa doutrina, entenderá por que aqueles lá de cima foram separados destes maliciosos aqui em baixo.”


Interessante saber que no “Inferno de Dante” existem vários círculos, que são basicamente “níveis de condenações” pelos pecados cometidos. Diria que quanto maior o círculo, ou o mais profundo, maiores dores sofrerá. E Dante diz algo que muito pode mexer com você nesse exato momento.


Nesse texto que expus, ele escreve: “A culpa por ter pecado por causa da incontinência ofende menos a Deus”. Óbvio, que ofender menos a Deus não é agradá-lo, então aqueles que são condenados por algum pecado de incontinência, como: Luxúria, Gula, Avareza, sofrerão menos que aqueles que são condenados por: Ira, Heresia, Violência, Fraude e Traição. Agora a chave em questão é: Por que esses sofrerão mais, enquanto aqueles menos?


Em “tua Ética” → Livro base aristotélico que Dante e Virgílio tinham conhecimento, se expõe que: Deve ser observado que há três aspectos das coisas que devem ser evitados nos modos: a malícia, a incontinência e a bestialidade.” A alma incontinente tem culpa, mas a culpa é menos grave que o dolo, a vontade de pecar. Esta vontade, quando surge de ocasião, como manifestação da natureza animal é ainda menos grave que aquele pecado que é cometido de forma arquitetada, premeditada, usando a inteligência própria do ser humano a serviço do mal. Ou seja, caro leitor. Os pecados que muitas das vezes arquitetamos, e que de forma consciente cometemos, nesse inferno de Dante há de ser causa das maiores dores que poderemos ter.


Diria que nesse aspecto mesmo não sendo verdade teológica, há de nos induzir a desejar o Paraíso. Diria que, mesmo após a leitura desse fantástico clássico, e tendo consciência que talvez não seja verdade, nos acomete a sã consciência a desejar fugir do desconhecido inferno que Satanás tem projetado para nós.


Finalizo esse texto refletivo e que tem por pura intenção te levar a Deus, com uma frase de um Santo que nasceu alguns séculos depois que o autor.


“A batalha contra o pecado é a única batalha na qual vence aquele que foge”. São Felipe Neri.

Perdido anda quem anda atrás do perdido

Perdido anda quem anda atrás do perdido

Quão belas são as palavras que Deus nos transmite por meio de Santa Teresa de Jesus. “Deste modo já anda imperfeito e perdido. É o caso de dizer: perdido anda quem anda atrás do perdido”.

Quantas são as vezes que ao estimarmos coisas e pessoas nos perdemos dos objetivos divinos? A Santa retrata muito bem isso. No capítulo 34, parágrafo 16 do Livro da Vida, ela escreve que não compreenderão bem aqueles que ainda não deixaram todo apego dessa vida por Deus, aquEle que nos dá verdadeira Luz.

É grande coisa entender o que se ganha em padecer por Ele, quando o Senhor ilumina! Não se compreende bem enquanto não se deixa tudo. Com efeito, quem está preso a alguma coisa, é sinal que a estima. Se a estima, forçosamente terá de pesar em deixá-la. Deste modo já anda tudo imperfeito e perdido. É o caso de dizer: perdido anda quem anda atrás do perdido. E que maior perdição, que maior cegueira e desventura do que ter em muito o que é nada? Capítulo 34, par. 16, Livro da Vida.

Estar perdido nas afeições e em tudo que é possível nos distrair de nosso destino original, faz com que não só percamos tempo, mas também percamos o caminho. Imagino que de forma analógica, poderia simular uma situação que melhor pudesse nos ajudar a entender qual é o objetivo real com que a Santa escreveu o texto.

Digamos que estivéssemos em uma grande aventura de escalada. A escalada é o desporto ou a atividade de escalar paredes de rocha, especialmente com o auxílio de cordas e equipamentos especiais. O objetivo é atingir um ponto final ou um cume de uma face rochosa ou de uma estrutura. Isso é feito utilizando equipamentos específicos, dependentes da dificuldade da escalada; basicamente se faz necessário de algum tipo para chegar ao topo, ou seja, o ponto mais alto. Supondo que se no meio dessa escalada, ficássemos admirando as pequenas rochas que o grande rochedo tem, nos detendo somente em admirar e desfocando-se do objetivo real, com certeza, com o nosso peso e ao passar do tempo, depreciariam-se todos os aparatos de segurança, digo, a corda e as ferramentas que nos asseguram nessa grande aventura. Para a conclusiva dessa história, não se faz necessário nenhum tipo de narração. O mesmo devemos observar e trazer para o nosso hoje. As admirações dessas pequenas rochas, não são senão as armadilhas que nos prendem e fazem com que tenhamos mais dificuldades para prosseguir o real objetivo. Nos manter focados em coisas e pessoas que não agregam de fato à nossa alma, tendo-as em nossas mãos, ou seja, sem perder de vista, só faz com que seja retardada toda verdadeira aventura que essa nossa vida tem a nos proporcionar. Lembrando que estará tudo perdido se não tivermos a vontade induzida ao objetivo original.

Quero convidá-lo agora a olhar para dentro de si. Pare por 30 segundos e somente pense nos reais objetivos que Deus tem para sua vida e responda com sinceridade (após esses poucos segundos), o que o meu “eu” tem cultivado e que tem retardado a obra divina?

Ter em muito o que é o nada, é ter todas as desculpas que impedem que a verdade seja plena em sua vida. E ter em nada o que é nada, já é um grande passo do desapego para encontrar-se de verdade com o verdadeiro sentido da vida.

“Tu estavas mais dentro de mim do que a minha parte mais íntima”

“Tu estavas mais dentro de mim do que a minha parte mais íntima”

Dizia Santo Agostinho: “Tu estavas mais dentro de mim do que a minha parte mais íntima. E eras superior a tudo o que eu tinha de mais elevado”

Grande e admirável afirmação, Agostinho admite que mesmo após ter entrado em uma seita pagã (maniqueísmo), Deus estava com ele, no mais íntimo, e esse mesmo Deus está em ti!

Pois bem queridos irmãos, no texto de hoje podemos saborear um pouco mais as Confissões de Santo Agostinho. Nesse capítulo, enquanto era jovem e seduzido pelo desejo da busca da verdade, foi vedado pela mentira de uma seita pagã, o maniqueísmo.

Todos os filhos de Deus, digo, todos nós temos uma alma que anseia pelo cumprimento de sua finalidade. A existência da alma está para Deus, como Deus está para a alma. Toda criação deseja a Deus. E não muito diferente somos nós, afinal de contas, quanta inquietude há em nós que deseja encontrar a paz e quanta desordem que deseja ser ordenada.

Santo Agostinho, desejoso apóstolo da verdade, mergulhava no mundo afora em busca da verdade; Tal desejo de amor pela verdade, que o instigava até mesmo a planejar sua ida aos confins deste mundo para encontrá-la e ao longo de sua juventude, não a encontrou, mas somente por volta dos seus 30 anos de vida, pôde dizer:

“Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!”

Já pararam para pensar o quanto sofreu esse homem (santo), nessa busca? Foram incansáveis 30 anos de vida, dias e mais dias ansiando para repousar a alma naquele que a criou, naquele em que conseguimos de fato descansar. E vendo toda essa realidade, me pergunto, onde estaria eu se também desejasse encontrar a Deus, que é a verdade? São diversos os caminhos que podem nos ser oferecidos, oportunidades que jamais teremos novamente, mas qual é o custo disso tudo? E qual é o fim disso tudo?

Já paraste para pensar que podemos buscar fora de nós “coisas grandes e admiráveis para os olhos”, como o sucesso e a fama, ou até mesmo coisas pequenas, mas almejadas por nós e não cumprirmos com o fim último de nossa existência? Eis aí o mistério que deve ser respondido. O que devemos buscar que tem mais valor que tudo desta vida?

Você e eu, estamos suspendidos a essa inquietação, pois como disse o santo: “Inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti”, pois somente em Deus encontramos a paz, somente em Deus nos encontramos de verdade. Pois é, Ele está mais dentro de nós do que o mais íntimo do nosso ser, portanto, abramos o nosso coração a essa realidade, visto que se Ele está no mais profundo de nossa existência, aonde nunca chegamos, imagine o domínio que tem de nós, imagine o que pode fazer conosco, as graças que podem ser derramadas em nossa alma, em nossos afetos, ordenando as paixões e nos conduzindo à excelência e a lugares que não sabemos que estão ausentes do amor d’Ele.

Enfim, acreditar nesse mundo e depositar nele as vagas esperanças que temos, é falhar primeiramente consigo mesmo, pois a consequência de um mau depósito é prejuízo para si, o inverso é lucro para a alma. Meu caro irmão (ã) em Cristo. Dentro de ti tens Deus, o criador de tudo e de ti, agora nos basta buscá-Lo e amá-Lo, pois só assim, seremos felizes e completos.

Existe um caminho que não te contaram para vencer os maus hábitos!

Existe um caminho que não te contaram para vencer os maus hábitos!

25 Ai de ti, torrente de hábitos humanos! Quem te resistirá? Até quando hás de correr antes de secar? Até quando arrastarás os filhos de Eva para o mar profundo e temeroso, que somente podem atravessar os que navegam no lenho da cruz?

Uma frase antiga que até hoje faz todo sentido. Tal frase encontrada no livro de Confissões de Santo Agostinho, nos faz com que reflitamos e quem sabe, contribua com uma justa decisão de vida.

“Aí de ti, torrente de hábitos humanos!” Sim, os hábitos são e sempre serão parte de nosso conjunto psicológico e espiritual, pois nos induzem a ações concretas, sejam elas más ou boas; Tais hábitos que nasceram e foram cultivados a partir das escolhas, sejam elas conscientes ou não e do ambiente, seja propício a moral ou a imoralidade.

O que podemos afirmar é que eles nascem e se cultivam a partir desses dois pontos cruciais da vida: Ambiente e Escolhas. Então vamos agora partir para a prática.

O Santo nos questiona, quem poderá resistir tais tendências se assim estamos adaptados? E quem conseguirá cumprir a difícil missão de navegar sob o mar que tanto nos persuade a manter-se na maré? 

Sim, é possível vencê-los. Vejamos bem o que ele mesmo nos diz: “… que somente podem atravessar os que navegam no lenho da cruz?”

Pois bem, veja que mesmo que as suas tendencias que foram formadas pela má educação, má formação religiosa ou até mesmo pelo mal ambiente que nascera, você poderá através do lenho da cruz, salvar-te desse desterro.

Em palavras mais diretas sobre esse contexto, lhe convido a fazer o que também o Cristo afirmou: “tome a sua cruz e siga-me.”

Não podemos vencer as más inclinações se não tivermos primeiramente gravados em nossos corações essa realidade, a vitória sobre todos os maus hábitos, principalmente os imorais, virá quando assumirmos que estamos precisando de ajuda e que a vida que até então estamos “vivendo” não é uma vida justa para um eleito e filho de Deus. Devemos buscar fazer o que a verdade nos propõe, mesmo que doa, mesmo que nos faça sofrer, mesmo que morramos por isso, pois só ela poderá nos dar a liberdade de uma vida fingida.

A visão humana é muito fraca, pois as perspectivas e os objetivos por muitas vezes, digo, maioria das vezes, estão sendo pautadas sob esses maus hábitos que empobrecem o nosso espírito.

Perceba, quando temos a impressão de que está tudo bem é quando tudo que está ao nosso arredor “está bem”, entretanto, não percebemos que tais perspectivas são exteriores e não fazem sentido algum. Quando estamos recebendo um bom salário, namorando com a “pessoa dos sonhos”, fazendo aquele curso que tanto queríamos ou trabalhando naquela empresa que um dia desejamos, caímos na cilada de achar que o melhor não poderá vir, mas ao passar do tempo, as escamas caem e tudo começa a perder o sentido, pois o motivo é simples, tudo que está fora é perecível e a verdadeira vida está dentro e não fora.

Os maus hábitos nos enganam, nos empobrecem, fazem com que entremos em um mundo “mágico e mentiroso”, nos convencendo a acreditar que aquilo que praticamos é o justo, enquanto o que realmente é justo, é impróprio para nós.  

Como podemos realmente encontrarmos a verdade a partir da experiencia de olhar para dentro de nós por meio do espelho da verdade? A partir do Lenho da Cruz.

Somente Cristo, poderá nos apresentar o real sentido da vida, somente aquEle que morreu no Calvário, poderá nos dar as forças necessárias para vencemos as nossas más inclinações.

Talvez nunca paremos para pensar no que vou escrever, mas hoje há estudos que afirmam que a cruz de Cristo era formada por três tipos de madeiras, sendo elas: Cipreste, Pinheiro e Cedro. E elas quando lançadas ao mar, sob as dimensões (peso e medidas) usadas no calvário de Cristo, é muito improvável que afundaria, portanto, abraçai também o Lenho da Cruz, pois com ele você não afundara, não se perderá e mesmo que venha tempestades e tu sinta-se obrigado a soltar-se dele, saiba, somente este lenho poderá te dar a vida. Lembremos da cuja frase que nos norteou até agora:  Até quando arrastarás os filhos de Eva para o mar profundo e temeroso, que somente podem atravessar os que navegam no lenho da cruz?  Agora preste bem atenção no que você irá ler, pois agora é Deus dizendo diretamente para você: “Abraçai a Cruz, Abraçai o Lenho, tenhais ciência que no madeiro o perfeito morreu como imperfeito e tu, meu filho imperfeito, morrendo na cruz, tornarás perfeito.

Como Deus pode mudar tudo sem alterar seu plano?

Como Deus pode mudar tudo sem alterar seu plano?

Santo Agostinho: “… tu Mudas as coisas sem mudar o teu Plano” #SerieConfissoes


Quantas vezes paramos as nossas atividades e lamentamos as realidades da vida?  Já parou para pensar que Deus é capaz de mudar as coisas sem mudar o teu plano?

Traçamos metas profissionais, acadêmicas, afetivas, dizemos que inclusive devemos cumpri-las, afinal das contas, essa é a nossa vocação, entretanto, qual é a nossa vocação?  As estradas que a vida nos permite passar, contribuem diretamente com as nossas decisões, mais tais estradas, ou seja, permissões, são direcionadas por Deus?  Leia atentamente o que vou te escrever: Deus é capaz de construir estradas, ruas, desvios, rotas e tudo que for necessário para que o plano dele mantenha, mas a decisão de manter-se dentro do plano A, B, C ou D de Deus, é tua.

No início do livro autobiográfico do Aurélio Agostinho, (Santo Agostinho), em seu subcapítulo [4] Deus Inefável, ele nos faz refletir sobre muitos aspectos cosmológicos e antropológicos da vida, contudo, sem perder a essência da finalidade DIVINA para conosco. Dentre essas citações refletivas, uma é enfatizada para você e para mim, “….mudas as coisas, sem mudar o teu Plano”. Verdade estampada, remédio para alma!

Deus é capaz de solucionar todos os problemas que causamos, inclusive tais efeitos de causa, são abafados quando temos em Deus a confiança, pois se usarmos minimamente a nossa razão junto a nossa fé, compreenderemos tudo que nos falta.

Pensando em uma realidade mais palpável em pleno SÉCULO XXI, para que chegássemos a compreensão das intenções do Santo, vos trago uma pequena comparação para melhor entendermos, pois Deus já traçou uma rota no GPS de nossas vidas desde o início da criação e que Ele é capaz de recalcular tais rotas quando quiser, nos dando oportunidades para chegarmos no destino traçado, mesmo que optemos em perambular sem observar o caminho que nos foi dado, entretanto, posso eu abusar do Divino “recalcular a rota”?

Até podemos nos desviar, mas sabemos ao certo se a Gasolina acabará? digo, se teremos tempo suficiente para chegarmos em nosso objetivo, cumprindo com a nossa rota?  Sabemos que Deus é capaz de Tudo, mas a onipotência está no criador, naquele que é imutável, e não no mutável que somos nós.

Concluo dizendo que, se você espera em Deus algo maior, deixe de esperar, pois tudo que Ele tinha de fazer por ti, já o fez, basta-se agora olhar para frente e não perder seu caminho, pois a sua vida pode estar terminando.

Carlo Acutis, o anjo da juventude

Carlo Acutis, o anjo da juventude

Algumas pessoas saem da vida para entrar na história; outras, para entrar no céu. Conheça a comovente história deste menino que, no leito de morte, ofereceu sua vida pela Igreja e pelo Santo Padre.

Algumas pessoas saem da vida para entrar na história; outras, para entrar no céu. Em 12 de outubro de 2006, falecia o jovem Carlo Acutis, vítima de uma grave leucemia. No leito de morte, desejou ardentemente que seus sofrimentos fossem oferecidos a Deus pela Santa Igreja e pelo Papa. O testemunho do rapaz, de apenas 15 anos, comoveu toda a Itália, tornando-o modelo de santidade, sobretudo para a juventude. No momento, a Diocese de Milão, à qual Acutis pertencia, trabalha na sua causa de beatificação.

Carlo Acutis nasceu em Londres, na Inglaterra, em 3 de maio de 1991. Os primeiros dias de vida foram também os primeiros de sua jornada para Deus. Com uma fé católica profundamente arraigada, os pais, André e Antônia, não tardaram a lhe providenciar o batismo, preparando para a ocasião um pequeno bolo em formato de cordeiro, como forma de agradecimento ao Senhor pela entrada do filho na comunidade cristã. Um simbolismo profético. A exemplo do Cordeiro de Deus, o pequeno Acutis também se faria tudo para todos, a fim de completar na própria carne — como diz o Apóstolo ao explicar o valor salvífico do dor — o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja.

Crescendo em Milão, o pequeno Carlo demonstrou as virtudes cristãs desde a infância. Era uma criança alegre, de comportamento suave, que cativava a todos — principalmente as babás — com o seu entusiasmo contagiante. E se algum amiguinho aprontava-lhe uma maldade, sabia colocar a caridade acima do instinto: “O Senhor não seria feliz se eu reagisse violentamente”. Aos 12 anos de idade, a Santa Missa já lhe era o bem mais precioso. Comungava diariamente, haurindo da Eucaristia a graça para uma vida santa.

Tamanha espiritualidade chamava a atenção dos mais próximos. Certa vez, preferiu participar de uma peregrinação a Assis, Itália, a visitar outros lugares para diversão. O comportamento do garoto levava os parentes a considerarem-no uma “vítima dos pais”. Mas não era nada disso. Como confidenciaria a seu diretor espiritual, poucos dias antes de sua derradeira páscoa, Assis era o lugar onde mais se sentia feliz. Juntamente com Nossa Senhora de Fátima, São Francisco era-lhe o grande santo de devoção, principalmente por sua pequenez e humildade.

Carlo havia entendido desde cedo o “chamado universal à santidade”.

Vibrante, apaixonado pela vida, tinha no apostolado o fim último de toda a sua ação. Entendera cedo o “chamado universal à santidade”. Daí a disponibilidade para todos, fazendo-se amigo de qualquer um, mesmo dos mais tímidos. “Ele acreditava no diálogo íntimo com o Senhor — conta um dos colegas — e rezava o Rosário todos os dias. Após a morte de Carlo voltei para a Igreja e acho que isso pode ser mérito de sua intercessão”.

No Instituto Liceo Classico Leão XIII, onde iniciou o ensino médio, desenvolveu sua paixão por computadores. Carlo criou um site dedicado aos milagres eucarísticos e à vida dos santos. “Decidi ajudá-los — dizia o jovem na página da internet — compartilhando alguns dos meus segredos mais especiais para aqueles que desejam rapidamente alcançar a meta da santidade”. Carlo Acutis insistia na Missa diária, na récita do Rosário, na lectio divina, na Confissão e no apego aos santos. “Peça ao seu Anjo da Guarda para ajudá-lo continuamente, de modo que ele se torne seu melhor amigo”, recomendava.

Em 2006, com apenas 15 anos, Carlo Acutis descobriria uma grave doença: a leucemia. Confundida inicialmente com uma inofensiva “caxumba”, o mal acabou se alastrando rapidamente, mesmo com os vários tratamentos, causando-lhe a morte em apenas um mês. Às 6h45min de 12 de outubro de 2006, o Senhor o levava para a vida eterna. Perto de falecer, confidenciou aos pais: “Ofereço todos os sofrimentos desta minha partida ao Senhor, ao Papa e à Igreja, para não fazer o Purgatório e ir direto para o Paraíso.”

A postuladora para a causa dos Santos da Arquidiocese de Milão, Francesca Consolini, afirma que a fé de Carlo Acutis era “singular”: “Levava-o a ser sempre sincero consigo mesmo e com os outros (…), era sensível aos problemas e às situações de seus amigos, os companheiros, as pessoas que viviam perto dele e quem o encontrava no dia a dia”. O testemunho do rapaz pode ser encontrado na sua biografia, “Eucaristia, minha rodovia para o céu”, escrita por Nicola Gori, articulista do L’Osservatore Romano.

O corpo de Carlo Acutis foi sepultado em Assis, cidade de São Francisco, por sua especial devoção ao santo.

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Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/carlo-acutis-o-anjo-da-juventude