Perdido anda quem anda atrás do perdido

Perdido anda quem anda atrás do perdido

Quão belas são as palavras que Deus nos transmite por meio de Santa Teresa de Jesus. “Deste modo já anda imperfeito e perdido. É o caso de dizer: perdido anda quem anda atrás do perdido”.

Quantas são as vezes que ao estimarmos coisas e pessoas nos perdemos dos objetivos divinos? A Santa retrata muito bem isso. No capítulo 34, parágrafo 16 do Livro da Vida, ela escreve que não compreenderão bem aqueles que ainda não deixaram todo apego dessa vida por Deus, aquEle que nos dá verdadeira Luz.

É grande coisa entender o que se ganha em padecer por Ele, quando o Senhor ilumina! Não se compreende bem enquanto não se deixa tudo. Com efeito, quem está preso a alguma coisa, é sinal que a estima. Se a estima, forçosamente terá de pesar em deixá-la. Deste modo já anda tudo imperfeito e perdido. É o caso de dizer: perdido anda quem anda atrás do perdido. E que maior perdição, que maior cegueira e desventura do que ter em muito o que é nada? Capítulo 34, par. 16, Livro da Vida.

Estar perdido nas afeições e em tudo que é possível nos distrair de nosso destino original, faz com que não só percamos tempo, mas também percamos o caminho. Imagino que de forma analógica, poderia simular uma situação que melhor pudesse nos ajudar a entender qual é o objetivo real com que a Santa escreveu o texto.

Digamos que estivéssemos em uma grande aventura de escalada. A escalada é o desporto ou a atividade de escalar paredes de rocha, especialmente com o auxílio de cordas e equipamentos especiais. O objetivo é atingir um ponto final ou um cume de uma face rochosa ou de uma estrutura. Isso é feito utilizando equipamentos específicos, dependentes da dificuldade da escalada; basicamente se faz necessário de algum tipo para chegar ao topo, ou seja, o ponto mais alto. Supondo que se no meio dessa escalada, ficássemos admirando as pequenas rochas que o grande rochedo tem, nos detendo somente em admirar e desfocando-se do objetivo real, com certeza, com o nosso peso e ao passar do tempo, depreciariam-se todos os aparatos de segurança, digo, a corda e as ferramentas que nos asseguram nessa grande aventura. Para a conclusiva dessa história, não se faz necessário nenhum tipo de narração. O mesmo devemos observar e trazer para o nosso hoje. As admirações dessas pequenas rochas, não são senão as armadilhas que nos prendem e fazem com que tenhamos mais dificuldades para prosseguir o real objetivo. Nos manter focados em coisas e pessoas que não agregam de fato à nossa alma, tendo-as em nossas mãos, ou seja, sem perder de vista, só faz com que seja retardada toda verdadeira aventura que essa nossa vida tem a nos proporcionar. Lembrando que estará tudo perdido se não tivermos a vontade induzida ao objetivo original.

Quero convidá-lo agora a olhar para dentro de si. Pare por 30 segundos e somente pense nos reais objetivos que Deus tem para sua vida e responda com sinceridade (após esses poucos segundos), o que o meu “eu” tem cultivado e que tem retardado a obra divina?

Ter em muito o que é o nada, é ter todas as desculpas que impedem que a verdade seja plena em sua vida. E ter em nada o que é nada, já é um grande passo do desapego para encontrar-se de verdade com o verdadeiro sentido da vida.