“Tu estavas mais dentro de mim do que a minha parte mais íntima”

“Tu estavas mais dentro de mim do que a minha parte mais íntima”

Dizia Santo Agostinho: “Tu estavas mais dentro de mim do que a minha parte mais íntima. E eras superior a tudo o que eu tinha de mais elevado”

Grande e admirável afirmação, Agostinho admite que mesmo após ter entrado em uma seita pagã (maniqueísmo), Deus estava com ele, no mais íntimo, e esse mesmo Deus está em ti!

Pois bem queridos irmãos, no texto de hoje podemos saborear um pouco mais as Confissões de Santo Agostinho. Nesse capítulo, enquanto era jovem e seduzido pelo desejo da busca da verdade, foi vedado pela mentira de uma seita pagã, o maniqueísmo.

Todos os filhos de Deus, digo, todos nós temos uma alma que anseia pelo cumprimento de sua finalidade. A existência da alma está para Deus, como Deus está para a alma. Toda criação deseja a Deus. E não muito diferente somos nós, afinal de contas, quanta inquietude há em nós que deseja encontrar a paz e quanta desordem que deseja ser ordenada.

Santo Agostinho, desejoso apóstolo da verdade, mergulhava no mundo afora em busca da verdade; Tal desejo de amor pela verdade, que o instigava até mesmo a planejar sua ida aos confins deste mundo para encontrá-la e ao longo de sua juventude, não a encontrou, mas somente por volta dos seus 30 anos de vida, pôde dizer:

“Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!”

Já pararam para pensar o quanto sofreu esse homem (santo), nessa busca? Foram incansáveis 30 anos de vida, dias e mais dias ansiando para repousar a alma naquele que a criou, naquele em que conseguimos de fato descansar. E vendo toda essa realidade, me pergunto, onde estaria eu se também desejasse encontrar a Deus, que é a verdade? São diversos os caminhos que podem nos ser oferecidos, oportunidades que jamais teremos novamente, mas qual é o custo disso tudo? E qual é o fim disso tudo?

Já paraste para pensar que podemos buscar fora de nós “coisas grandes e admiráveis para os olhos”, como o sucesso e a fama, ou até mesmo coisas pequenas, mas almejadas por nós e não cumprirmos com o fim último de nossa existência? Eis aí o mistério que deve ser respondido. O que devemos buscar que tem mais valor que tudo desta vida?

Você e eu, estamos suspendidos a essa inquietação, pois como disse o santo: “Inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti”, pois somente em Deus encontramos a paz, somente em Deus nos encontramos de verdade. Pois é, Ele está mais dentro de nós do que o mais íntimo do nosso ser, portanto, abramos o nosso coração a essa realidade, visto que se Ele está no mais profundo de nossa existência, aonde nunca chegamos, imagine o domínio que tem de nós, imagine o que pode fazer conosco, as graças que podem ser derramadas em nossa alma, em nossos afetos, ordenando as paixões e nos conduzindo à excelência e a lugares que não sabemos que estão ausentes do amor d’Ele.

Enfim, acreditar nesse mundo e depositar nele as vagas esperanças que temos, é falhar primeiramente consigo mesmo, pois a consequência de um mau depósito é prejuízo para si, o inverso é lucro para a alma. Meu caro irmão (ã) em Cristo. Dentro de ti tens Deus, o criador de tudo e de ti, agora nos basta buscá-Lo e amá-Lo, pois só assim, seremos felizes e completos.